De seios a riscos cibernéticos, Lloyd's faz seguro para quase tudo

Fonte: Valor Econômico, por Thais Folego, de Londres, em 09/12/2014

Prédio do Lloyds em Londres criado pelo arquiteto Richard Rogers tem todas as tubulações e elevadores na parte externa para deixar o interior livreDizer que o mercado de seguros do Lloyd's topa qualquer risco - por um preço, é claro - está longe de ser exagero. Que o diga a atriz America Ferrera, protagonista da série "Betty, a Feia", que saiu de lá com uma apólice para proteger seu sorriso. É justamente para ser capaz de chegar em um valor monetário para riscos tão diversos que o Lloyd's se tornou extremamente especializado. Há analistas de risco (subscritores) para praticamente tudo, de riscos cibernéticos a partes do corpo.

O Lloyd's nasceu na taberna de Edward Lloyd, localizada na Tower Street, em Londres, que era um ponto de encontro para informações e negócios marítimos no século 17. Assim começou esse negócio que, ao longo dos anos, foi se estruturando para dar cobertura para os riscos emergentes de cada época.

Os seguros para partes do corpo de celebridades, por exemplo, nasceram lá, por volta da década de 1930, com a apólice para as pernas da dançarina, cantora e atriz Betty Grable. Outras pernas famosas, as do jogador de futebol David Beckham, foram seguradas em 100 milhões de libras. Já a cantora country Dolly Parton fez uma apólice de 3,8 milhões de libras para os seios tamanho 40DD.

Hoje, um dos mais novos riscos do mercado é o cibernético. "O mercado global de seguros cibernéticos movimentou US$ 1,3 bilhão em 2013 e espera-se que este ano ultrapasse US$ 2 bilhões. Mas se analisarmos os riscos a que as empresas estão expostas, nós estimamos que o tamanho potencial do mercado global seja de US$ 85 bilhões", diz Jayne Goddard, subscritora de riscos cibernéticos, tecnológicos e de mídia da Barbican.

Ao contrário do que pode parecer, porém, o Lloyd's não é uma empresa, mas sim um grupo composto por membros que se juntam para assumir riscos. É assim há 325 anos. Seguradoras e resseguradoras se juntam em sindicatos especializados, que assumem uma parte do mesmo risco. Esses sindicatos são administrados por agentes gestores (os "managing agents"). Hoje, são 94 sindicatos e 57 agentes gestores. Esse mercado é regulado e supervisionado pela Corporação Lloyd's.

Como no século 17, os negócios continuam sendo feitos face-a-face. Os analistas ficam todos na "Sala de Subscrição", no primeiro andar do icônico prédio da Lime Street. Do lado de cada subscritor há um banco reservado para os corretores, que trazem os riscos para serem colocados no mercado.

A maioria se encontra no Leadenhall Market, no quarteirão ao lado do Lloyd's, na hora do almoço, onde costumam tomar uma - ou várias - "pints" (copo de cerveja de 665 mls). É praticamente um "happy hour" no meio do dia. O executivo de uma seguradora brasileira que colocava riscos no Lloyd's conta que costumava ligar na sexta à tarde quando o pessoal estava, digamos, mais receptivo.

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